
Eu e Arnaldo Antunes...Contato ImediatoComposição: Arnaldo Antunes / Marisa Monte / Carlinhos Brown Peço por favor Se alguém de longe me escutar Que venha aqui pra me buscar Me leve para passear No seu disco voador Como um enorme carrossel Atravessando o azul do céu Até pousar no meu quintal Se o pensamento duvidar Todos os meus poros vão dizer Estou pronto para embarcar Sem me preocupar e sem temer Vem me levar Para um lugar Longe daqui Livre para navegar No espaço sideral Porque sei que sou Semelhante de você Diferente de você Passageiro de você À espera de você No seu balão de são joão Que caia bem na minha mão Ou numa pipa de papel Me leve para além do céu Se o coração disparar Quando eu levantar os pés do chão A imensidão vai me abraçar E acalmar a minha pulsação Longe de mim Solto no ar Dentro do amor Livre para navegar Indo para onde for O seu disco voador Ontem a noite vinha eu de Caruaru absorta em meus pensamentos e olhando encantada para o céu. Resolvi escutar Arnaldo Antunes. Qual não foi minha surpresa ao ouvir esta música "Contato Imediato". Lembrei imediatamente do meu texto anterior a este. Nossa, que comunhão. Parecia que Arnaldo - de uma forma muito mais competente e poética - havia sentido e posto em palavras exatamente aquilo que eu havia sentido e tentado pôr em palavras... fiquei emocionadíssima...vim a viagem toda só repetindo a música e "vendo-a" lá no céu, nítida, límpida, pura...foi um encontro de almas feito através das palavras e que em algum lugar entrou em contato com algo muito maior do que isto aqui...um contato imediato...Eu e Arnaldo, Arnaldo e eu nos encontrando no espaço sideral...em um disco voador...
Escrito por Lene Saldanha às 09h30
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Na escuridão eu me vi... Faltou energia. Tudo ficou escuro e o breu se fez. Enquanto as pessoas corriam e gritavam em busca de velas, lanternas ou algum tipo de luminosidade eu corria feliz pra minha varanda para, deitada em minha rede, admirar o céu. E foi aí que do breu eu vi a verdadeira luz... Me tocou profundamente a imagem daquele céu imenso, pontilhado por pequeninas luzes...acreditei serem elas as velas dos deuses...nossa, que comoção...nesse instante eu me assustei comigo mesma. E lágrimas escorreram em meu rosto. Tive medo da minha intimidade com o céu, de como eu me sentia acolhida, em casa...era fácil ficar ali horas a fio só olhando sem sentir a menor necessidade de voltar à terra. Me chocou perceber o quanto eu estava em paz naquela escuridão, naquele silêncio. Percebi que do céu eu já fazia parte, ou melhor, eu era uma das suas partes. Mas, da terra, bom, dessa eu ainda me perco... No céu eu me encontro e nesse encontro eu encontro a paz límpida, verdadeira. Na terra, eu ainda sinto falta de companhias que sabem olhar e ver o céu, que se tornaram intimas dele. Me assustei com minhas observações, com meus sentimentos. Naquele momento sabia que, se nunca mais voltasse a ter energia, eu estaria em paz, extremamente em paz....não havia medo, não havia tristeza, mas um amor tão grande que não cabia em mim e foi essa sensação que me amedrontou...não tive medo da escuridão, mas sim da paz provocada em conviver intimamente com ela. A energia voltou. As pessoas festejaram. E eu, bom, eu senti falta da escuridão...pois foi nela que eu me vi, foi nela que eu vi algo maior, vi o milagre da vida e ouvi a música do universo. Porém, as luzes do teatro tiveram que se acender e todos precisaram – alguns sentiram necessidade – voltar a seus velhos papéis... Uma pena...
Escrito por Lene Saldanha às 23h40
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O encontro com o ayurveda Não foi um encontro convencional...não sabia ao certo o que era, para que de fato servia, mas sentia no fundo da minha alma que devia com essa ciência me encontrar...e foi assim que nos encontramos envoltos numa sensação de alquimia, pois vinha eu passando por belas e profundas transformações, transformações estas que descobri ser a natureza do sentimento ayurvédico. Costumo dizer então que ela me encontrou e não eu a ela, pois a doçura do encontro só foi possível porque existia ali a doçura divina criadora que divinamente despejou em mim e em minhas dúvidas mundanas o néctar de uma sabedoria maior, sagrada. Me encantei...e nesse encanto identifiquei em mim três estágios que aqui vos apresento: Estágio 1: ao olhá-la pela primeira vez senti meu agni acender e ascender vertiginosamente e eu fiquei apaixonada por cada palavra que digeria e absorvia ávida pela poesia intrínseca a esse conhecimento. Entrei em êxtase. Entretanto, percebi que neste êxtase consumia muito rapidamente o prana do encontro digerindo muito rapidamente um alimento que necessitava de tempo para ser processado, assimilado, incorporado a minha vida. Estanquei! E foi aí que deu início ao segundo estágio... Estágio 2: entrei em confusão, pois desejava muito conhecê-la, vivenciá-la, mas não conseguia harmonizar o que eu aprendia com o que eu era e gostaria de aprender e ser. Meu agni então foi diminuindo e com ele o fogo do êxtase baixou, baixou, baixou demais...agora não havia prana suficiente para ascendê-lo. Fiquei tristonha...me senti incapaz de reverenciar um conhecimento milenar e sagrado que a mim tocava profundamente, pois não me sentia merecedora dessa transmutação. Porém, foi nesse momento de profunda tristeza que se deu o milagre da transformação... Estágio 3: identifiquei que o problema não estava no agni, mas na chama que o mantinha acesa. Percebi que o combustível não estava bem dosado: ora eu punha tudo ora eu temia pô-lo com medo de logo acabar, e assim eu nunca tinha a medida exata da minha doação. Percebi ainda que precisava junto ao combustível acrescentar algo que ajudasse na digestão desses conhecimentos tão profundos e foi aí que eu descobri o meu “gengibre universal”: a humildade juntinho com a compaixão. Nossa, que transformação! Naturalmente meu agni foi se reequilibrando, na medida exata, sem dores, sem queimores, sem ardências, sem desperdiçar o prana sagrado de uma nova convivência. Me emocionei...senti um carinho imenso por esse novo despertar que me dava mais uma nova e bela oportunidade de crescer devagarinho, mas constante. Chorei... E assim, passei a usar meu gengibre universal em tudo que aprendia e em tudo que vivia. Cada nova descoberta, cada novo despertar que mexia com as minhas mais profundas raízes eu punha um bocadinho deste gengibre e puft! A transformação acontecia: suave, verdadeira, sagrada... Hoje, tenho observado que a medida que vou ingerindo as sementes deste novo conhecimento algo maior vai germinando dentro de mim e delicadamente milhares de flores vão surgindo em meu plexo solar: pequeninas, mas firmes... Uma bela imagem que em mim tatuou.
Escrito por Lene Saldanha às 23h31
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